MARIA MARIA

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Impossível ouvir a famosa canção de Milton Nascimento e Fernando Brandt e não pensar imediatamente em dona Maria Luíza dos Santos Silva, uma sertaneja que já viveu muitas vidas, todas elas tão severinas que, para driblar a morte, teve de reinventar-se como Maria da Inglaterra, que “é o som, é a cor, é o suor/ é a dose mais forte e lenta/ de uma gente que ri quando deve chorar/ e não vive, apenas agüenta”.

Maria da Inglaterra acaba de perder metade do pouco que a vida lhe deu: o poeta Otacílio, amigo, amante, parceiro e sua “memória”. Era ele quem decorava e escrevia as canções da rainha.Teria, portanto, todos os motivos para desistir de vez e cair no esquecimento. Mas Maria que se fez artista depois uma visão, tem um anjo que a protege, um anjo peralta, vadio e piadista, que atende pelo nome de Zé Dantas. Foi dele a iniciativa de gravar o CD “O Peru Rodou”, sonho que dona Maria perseguiu por quase 30 anos. E agora, quando o manto da noite ameaçava encobri-la de vez, Dantas fê-la ressurgir das cinzas e brindar-nos com o luminoso “Alegria de Viver”, um hino à vida.

Cercada por um time de craques do naipe de Geraldo Brito, Adelson Viana, Vaguinho, Anderson, Jeová, Gonzaga Lu, Jerlane Costa e Paulo Dantas e com as participações de Lázaro do Piauí e João Cláudio Moreno, Maria da Inglaterra sacode a poeira e dá a volta por cima. Está viva, inteira e vibrante como nunca. Falta-me autoridade para julgar as qualidades deste CD, mas não a sensibilidade para captar a beleza de “Dei uma volta no mundo” e “Pancada desta ponte”, para citar apenas dois exemplos. Longa vida e muito sucesso à “rainha das canções do Piauí”. Ela fez por merecer

por Cinéas Santos

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