É ler e gostar!

Este Blog é uma criação de Antonio Celso Duarte, em homenagem e em parceria com o poeta e compositor Climério Ferreira.
Sejam Bem-vindos!

Climério e o fabuloso livro dos pensares poéticos

por Guido Heleno Dutra – poeta e escritor

 poesia mínima & frases amenas é o mais recente livro do Climério Ferreira, uma grande obra construída, tijolo a tijolo, com a argamassa da síntese em que as palavras se fazem de cimento e dão liga ao concreto.
Não é um pequeno grande livro porque tem quase 250 páginas nas quais a sensibilidade poética de Climério se apresenta de maneira exuberante e, ao mesmo tempo, minimalista.
Os poemicros e os dizeres não são partes estanques do livro, uma vez que a unicidade se dá pela harmoniosa mágica de combinar poesia, humor e pensares dentro da mais perfeita síntese.
O mais sintético desses poemicros vaticina que a poesia nos faz reaprender a ver. Climério é, portanto, um iluminador de palavras que, com sua lanterna mágica, dá foco ao cotidiano.
Ao percorrer seus poemicros & frases amenas somos levados a rever, agora enxergando e não só vendo, como são relevantes determinados momentos e acontecimentos tidos como corriqueiros em nossa trajetória de vida. É possível ler o livro sem parar. Aliás, este é o primeiro impulso. Mas logo se percebe que, como um bom vinho, o melhor mesmo é degustar, sem pressa. Até porque a síntese poética tem o poder de provocar reações, remeter a lembranças.
A Fernanda Takai, na apresentação do livro, ressalta isso, de que é um saboroso prato e deseja ao leitor um bom apetite. Recomendaria para devorar com moderação. Impossível destacar um único desses poemicros ou escolher a melhor das frases amenas. Abri ao acaso. Sem cabimento: a vida humana é tão curta/ que não cabe essa mania de grandeza.
Em outra página, uma frase amena: quando a paisagem ameaça ressecar meu peito/minha alma chove. A leitura atenta da obra revela inúmeras facetas de Climério Ferreira, dando-nos a certeza de que além de músico e letrista, é um poeta com o poder da síntese, um escritor que, por meio de seu comedido humor e ampla capacidade de observação do mundo, é capaz de pinçar essências no dia-a-dia, ir direto às pepitas de ouro em meio a uma montanha de cascalho.
Livro de cabeceira. Livro de algibeira. Livro para a vida inteira. Livro para ler, reler, rever, se divertir, pensar e tudo mais. É ler e gostar!

Entrevista com Climério Ferreira

Entrevista com Climério Ferreira
Vivaldo Simão para o jornal Interativo

No artigo Vozes ocultas do Piauí, publicado na primeira edição do nosso jornal Interativo, falei de grandes compositores piauiense atualmente esquecidos ou ignorados pelo grande público, dentre eles o trio Clésio, Climério e Clodo, cujas canções Revelação, Conflito e Cebola cortada tiveram grande repercussão nacional na voz de Fagner.

Conversei com Climério Ferreira. Residente atualmente no Distrito Federal, Climério dedica-se hoje à poesia, publicou no ano passado o livro Memorial de mim e está atualmente em processo de criação de dois novos livros.
Em Junho deste ano teve uma de suas parcerias com Domiguinhos, a canção Riso Cristalino, gravada pela cantora paraibana Elba Ramalho. No bate papo com Climério falamos sobre música, poesia e piauiensidade. É o que você confere agora:

No ano passado o senhor lançou um livro de poemas chamado Memorial de mim e teve uma parceria musical com o grande Dominguinhos, a canção Riso Cristalino, gravada pela Elba Ramalho, no disco Balaio do amor. Continua produzindo bastante, mas o restante do histórico trio, seus irmãos Clésio e Clodo, por onde andam? Ainda compondo?

 Climério:  Realmente, parece muito o que fiz (rs). Mas o que aconteceu foi o seguinte: a música Riso Cristalino (minha e de Dominguinhos) é, de certa forma, antiga. Foi gravada originalmente pelo Dominguinhos e virou um cult nordestino, com várias gravações de bandas e cantores ligados ao forró, incluindo Mastruz com Leite. A gravação de Elba é um registro definitivo do sucesso dessa música. Aliás, acho o disco Balaio de Amor, um belo tributo à criatividade dos compositores da nossa região. Quanto a Clodo, Climério, Clésio não há mais. Na verdade, a gente nunca foi um trio. Na contracapa do São Piauí – nosso primeiro disco, e que não é uma santificação do estado (como alguns jornais deram a entender na época) mas uma mistura de São Paulo e Piauí, como está claro na música do mesmo nome – Ednardo escreveu: “São três mas não é um trio”. De nós, o Clodo deu início à sua carreira solo, já tendo gravado três cds (Clodo Ferreira/Gravuras/Clodo Ferreira interpreta Sinhô), fazendo shows, e fazendo parcerias com Fagner, Carlinhos 7 Cordas, Evaldo Gouveia, Manassés, Nonato Luiz, Aurélio Melo e muitos outros.

Eu, de minha parte, voltei-me para a produção de letras e a publicação de pequenos livros de poesia. Meus atuais parceiros são Dominguinhos, Clodo, Ednardo, Naeno, Geraldo Brito, Aloísio Brandão, Celso Adolfo, Passoca, Bê, Waldonys , Silvério Pessoa. Os livros mais recentes que publiquei: Artesanato Existencial, Pretéritas Canções, Memorial de Mim; e atualmente estou trabalhando em dois livros inéditos: poesiadequinta.com e Poética Candanga. Ufa! Meu poeta Vivaldo, acho que estou falando demais!

Nos anos 70, vocês iniciaram uma produtiva parceria com o chamado “grupo dos cearenses” do qual faziam parte Fagner, Fausto Nilo, Ednardo, dentre outros. Posteriormente vocês vieram a ter canções gravadas também por artistas do Rio de Janeiro como Tim Maia, Nara Leão e Os Cariocas. Como foi que se deu todo esse processo de intercambio Piauí-Ceará-Rio-Brasil?

Climério: Quanto à nossa convivência artística com os cearenses (Ednardo, Fagner, Rodger, Fausto Nilo, Petrúcio Maia, Vicente Lopes, Brandão e outros do movimento deles) já deu até tese de mestrado. O historiador Magno Córdova, de Minas Gerais, na sua tese Rompendo As Entranhas do Chão:cidade e identidade de migrantes do Ceará e do Piauí, para a Universidade de Brasília, tenta compreender essa união que tanto o encantou na juventude. Nara Leão, na época da gravação do seu Romance Popular, ouviu a minha gravação de Por um triz (Clodo/Climério/Clésio) e resolveu incluí-la no disco. Veio à Brasília, ouviu mais músicas da gente e ficou amiga. Trocamos muitas idéias de projetos futuros, que a morte dela interrompeu. Mas resultou numa composição dela, Fagner e Fausto Nilo em nossa homenagem, Cli-Clê-Clô, uma das raras composições gravadas de Nara, e que também entrou no Romance Popular. Já o Tim Maia e Os Cariocas, foi uma escolha de Tim pro disco deles – e é uma parceria minha com o Dominguinhos. É um tanto estranho que poucos piauienses saibam que canções nacionalmente consagradas como Revelação, Cebola cortada e Conflito tenham a assinatura de compositores piauienses.

 O senhor acha que isso se deve à desvalorização do artista piauiense ou a desvalorização do compositor, de um modo geral, que acaba sendo “ofuscado” pelo interprete?

Climério: Eu não estranho tanto assim, Vivaldo. Tal desconhecimento é geral, faz parte já de uma cultura do sistema de mercado no qual a música está inserida. As rádios não dizem os nomes dos autores, as pessoas não têm o costume de ler a ficha técnica dos discos, os intérpretes omitem os autores ou os jornalistas não anotam estas partes das informações dos intérpretes. De modo que essa desinformação, no caso dos piauienses, deve ser corrigida. O nosso estado já é desprestigiado demais pelos outros para ser também por nós, eu acho. Temos de levantar o nosso nariz, estufar o peito e nos orgulhar do que temos. Na verdade, o que temos é exatamente igual ao que os outros têm. Às vezes até melhor.

O Nordeste possui uma musicalidade muito rica e ao longo de décadas tem revelado grandes ícones da música brasileira como Zeca Baleiro (Maranhão), Djavan (Alagoas), Chico Cesár ( Paraíba), Chico Science (Pernambuco) em gerações passadas Gil e Caetano ( Bahia), Fagner e Belchior (Ceará), dentre outros. A que se deve a ausência de um grande representante da música piauienses no cenário nacional?

Há grandes representantes piauienses na MPB: Torquato Neto, Renato Piau, Naeno e, modéstia às favas, nós. E mais alguns que o Brasil não conhece, como por exemplo: Cruz Neto, Ensaio Vocal, Erisvaldo Borges, Gonzaga Lú, Geraldo Brito, Wilker Marques, Edvaldo Nascimento, Vavá Ribeiro, Bandolins de Oeiras, O forró do Candeeiro, Luis Santos, Márcio Menezes, Di Bahian, Patrícia Mellodi, João Cláudio Moreno, Levi Moura, Magno Aurélio, Peinha do Cavaco, Assis Batista, Julio Medeiros e o pessoal do samba: Edmar Sônia, Corrinho, Paulo Ferreira, Messias, Jaime Martins, João Violão, Rosinha Amorim, Manoel Fininho e muitos outros, pois é difícil ter todo mundo de memória, e muitos outros de quem não tive ainda conhecimento. Pergunte ao Joca Oeiras, que sabe mais do que eu desse assunto (rs). Talvez uma das fontes dessa ausência em nosso próprio descaso. José Saramago afirmou recentemente que “a geração atual tem uma tendência ao monossílabo”, em outros termos, nossa linguagem está cada vez mais minimalista. O fato de a poesia contemporânea tender a ter poucos e versos , geralmente numa única estrofe, pode ser um indicio de que a poesia no século XXI ruma pra uma estrutura mais sintética? Há uma tendência monossilábica provavelmente em virtude da vida apressada que atualmente se leva. Além disso, o telefone celular, a tv, a internet e o desenvolvimento imprevisível das novas mídias retirem de nós a calma necessária para a assimilação de textos longos. A coisa toda vai ficando meio telegráfica. A gente não tem muito tempo para poemas intermináveis, talvez. Eu gosto muito de escrever meus versos, mas eu não sou muito equipado teoricamente para interpretar estes fenômenos. O que sei é do que gosto. Eu, pessoalmente, adoro poemas mais curtos. Como anda sendo tratada a questão dos direitos autorais no país, especialmente no seu caso? Eu não tenho muitos elementos para afirmar que melhorou. Mas sinto, no meu caso particular, que me remuneram melhor que antes. Ou, como dizem os que entendem, sou menos roubado (rs).

O senhor vivenciou um momento muito produtivo da música brasileira, os anos 70. 30 anos depois, o que ficou de legado daquela geração e como o senhor enxerga o cenário atual da música brasileira?

 Climério: No momento, sinto que a visão mais comercial da nossa música venceu a luta da divulgação no rádio, na tv e a nossa amada mpb busca guarida na internet, que é um nicho ainda nebuloso para todos nós. Eu, com Clodo e Clésio, participei da maravilhosa experiência do selo Epic da CBS. Aquilo foi um celeiro de talentos, uma explosão quase silenciosa da expressão da nossa música. Sou bastante otimista. Creio que a boa música, a boa letra, a boa poesia terá sempre o seu lugar no coração de algumas pessoas como nós. E ultimamente tenho alimentado a crença de que o contingente dessas pessoas vem aumentando consideravelmente. Vejo isso claramente no interesse manifestado pelas novas gerações, pela curiosidade solidária que elas demonstram em tudo que se relaciona à essa época. O próprio fervilhar cultural de Oeiras é avalista dessa crença. Pergunte ao Joca. Meu caro, muitíssimo obrigado. Tenho ouvido bastante “São Piauí”, A música que abre o disco muito me agrada. É curioso que ela me lembra as coisas do Movimento Mangue Beat, que foi criado duas decadas depois. Adoro Conflito e Nudez também. Consegui os discos “Chapada do Corisco” e “Ferreira”, mas ainda não tive tempo de ouvi-los com a devida atenção. Curioso como as coisas ocorrem: de uma revista de rock usada, comprada numa banquinha revistas velhas em Teresina, acabei tomando conhecimento da origem dos autores de Revelação e de lá pra cá tanta coisa se deu.

Fico feliz em poder ajudar a remediar essa “amnésia nacional”. A gente realmente precisa conhecer melhor os valores da nossa terrinha. Além do mais, o contato com um grande poeta e compositor como você só me traz engrandecimento. Um grande abraço.

O inverso

A juventude
Pode ser algo que chega com a maturidade

(Climério Ferreira)

james dean edit mywebface by celso duarte

DESNASCER
 
O mundo vai ficando diferente
A arquitetura vai se modificando
O amigo vai ficando ausente
O tempo ontem se distanciando
 
O esquecimento vai se impondo
A lembrança do passado se faz presente
Caras e nomes vão se misturando
É a gente desnascendo lentamente
 
(Climério Ferreira)
 
A PRESSA VÃ DA VIDA FÚTIL
As crateras do tempo engolem horas
Os vulcões dos séculos expelem anos
Não sobra espaço para as demoras
Nem a calma necessária para os planos
 
Nesse turbilhão de minutos aflitos
Montanhas de desejos se evaporam
Os dias destroçam santos e mitos
E os ideais necessários desmoronam
(Climério Ferreira)

GRANDE DESCOBERTA

É gratificante descobrir
Tudo que o preconceito esconde
 
(Climério Ferreira)

Revelações

Da Poética Candanga – poesia sobre poesia

O LIVRO

 

Da Poética Candanga – poesia sobre poesia é composto de poemas de Climério Ferreira sobre a poesia dos poetas brasilienses: Aglaia Souza, Alexandre Marino, Aloísio Brandão, Altino Caixeta de Castro, Ana Maria Lopes, Anderson Braga Horta, Angélica Torres, Antonio Carlos Osório, Ariosto Teixeira, Bené Fonteles, Carlos Marchi, Cassiano Nunes, Clodo Ferreira, Cristina Bastos, Domingos Carvalho da Silva, Domingos Pereira Neto, Eudoro Augusto, Ézio Pires, Fernando Mendes Viana, Francisco Alvim, Guido Heleno, Hélio Póvoas Júnior, Hermenegildo Bastos, Hugo Mund Júnior, Joanyr de Oliveira, João Carlos Taveira, José Edson dos Santos, José Santiago Naud, Lilia Diniz, Lourdes Teodoro, Luiz Martins da Silva, Luiz Turiba, Maju Guimarães, Menezes y Morais, Nicolas Behr, Noélia Ribeiro, Oswaldino Marques, Paulo Bertran, Paulo José Cunha, Paulo Tovar, Pedro Tierra, Ramsés Ramos, Reynaldo Jardim, Salomão de Sousa, Tânia Kedma, Tita Lima, Vera Americano, Vicente Sá, Xênia Antunes.

APRESENTAÇÃO

            Eis que surge neste planalto central uma onda de criatividade antes insuspeitada sob o comando de cineastas, artistas plásticos, escritores, cronistas, repentistas, trovadores, artesãos, músicos, cantores, etc,, dentro e fora dos eixos, dentro e fora do plano, desafiando a pretensa vocação burocrática a que estaria condenada a nova capital.

            Uma cidade tão nova e moderna que muitos julgavam condenada ao vazio das ideias, à aspereza do concreto, à solidão dos amplos espaços, ao achatamento do ser humano pelo horizonte sem fim, ao tédio da superquadras idênticas, mostra-se pulsante de poesia, repleta de poetas, numa invasão não bárbara de bares, teatros, cinemas, com seus livros e recitais.

            Tudo começou de brincadeira com Eu Quero Ser Chico Alvim. Veio então a ideia de trabalhar com os versos de alguns poetas brasilienses, tendo como método a produção de poemas sobre a poesia de cada um deles, aproveitando os versos, compondo versos de ligação, invertendo-lhes de vez em quando o sentido original.

            Predominou o caráter subjetivo das escolhas, nascidas da admiração, da amizade e (por que não?) da inveja – no bom sentido – que o autor nutre por cada um dos poetas e a beleza indiscutível dos seus versos.

            Da Poética Candanga significa uma pequena gota no imenso oceano da poesia de Brasília. Em verdade, deseja ser uma despretensiosa homenagem do autor à cidade e seus poetas.

 O AUTOR

Climério Ferreira, poeta e letrista da mpb, nasceu em Angical do Piauí, em março de 43. Publicou os livros de poesia: Memórias do Bar do Pedro & Outras Canções, Canto do Retiro, A Gente e a Pantasma da Gente, Essa Gente (c/Duarte), Artesanato Existencial, Pretéritas Canções, e Memorial de Mim.

2010 é tempo de:

tempo de reler zen e a arte da manutenção das motocicletas, de robert m. pirsig. tempo de esperar o volume 2 de então, foi assim, de ruy godinho (sobre como foram feitas algumas das mais belas canções da nossa mpb). tempo de ver/ouvir o dvd de dominguinhos ao vivo (trinta e sete músicas do melhor forró do nordeste). tempo de ler deus, um delírio, de richard dawkins. tempo de visitar o myspace de antonio celso duarte, o bê. tempo de ler ouvindo vozes, de edmar oliveira. tempo de ler a poesia de noélia. tempo de reler baú de espantos, de mário quintana. tempo de dar outra espiada em ensaio sobre o homem, de ernst cassirer. tempo de ouvir cauby cantando roberto. tempo de curtir fernanda takai cantando insensatez. tempo de elba recriando plantio de amor. tempo de revisitar os sambas de eduardo gudim. tempo de ouvir paulo césar pinheiro. tempo de esperar o cd novo de silvério pessoa. tempo de tomar cerveja empoada no bar do zé do santo, em regeneração, ouvindo maria bethânia. tempo de comer o bode do raimundo no berlim, falando bem da vida e jogando conversa fora. tempo de ligar pro ednardo, sondando parcerias. tempo de rever assai campelo no bar do clube dos diários, ouvindo waldik soriano cantar sinatra. é tempo de ter tempo. que venha 2010, que eu quero é mais – e é disco que eu gosto. viva a bela parceria de clodo com evaldo gouveia.

um grande abraço do climério


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