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A CAPTURA DA PAISAGEM

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A CAPTURA DA PAISAGEM  

Enquadro a paisagem com os dedos
Como fazem os cineastas antes da filmagem
Vejo que a paisagem que vejo não é
Mas está filtrada pelos sentimentos

Na sua neutralidade natural transfigura-se
Em triste, feia e bela sendo a mesma
Sua nua visão só denuncia minha dor
Ou minha alegria como algo irreal
Ante as coisas que são e o passar do tempo

Nada congela o que sinto ao enquadrá-la
Sua realidade escapa sorrateiramente ao olhar
E continua sendo o que é infinitamente

Climério Ferreira

BUSQUE A POESIA

BUSQUE A POESIA

Contemplar com prazer
Ser expectador da vida e das coisas
Eis uma das muitas definições do gosto
Dá até para saber que a vida às vezes é de morte
Faça então uma canção
Um cantochão, um canto-céu
Opere uma ópera em silêncio
Deixe que a tristeza se arraste pelas ruas das metrópoles
Recolha-se às sombras dos edifícios
Busque a poesia onde não há

 Contemplar com prazer
Ser inocente da vida e das coisas
Eis a leveza de uma asa em pleno vôo
A vida – no tempo – é mais que um talho, um corte
Faça um verso então
Um verso preso, um verso livre
Grite aquele grito em silêncio
Deixe que a alegria povoe os povoados
Recolha-se ao sol desses desertos
Busque a poesia onde haverá

 

(Climério Ferreira)

+ duas quadrinhas

BODE BIKE

O homem leva o almoço
Para um passeio na ponte
O pré-churrasco em alvoroço
Se encanta com o horizonte

(Climério Ferreira)

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A PONTE DO DESEJO

O querer constrói um arco
Sobre o abismo do nada
Onde passeia de barco
Uma paixão inventada

(Climério Ferreira)

Duas Quadrinhas

VERSO AFLITO

 Meu verso solta o grito
Que a fala ousa esconder
É que meu verso é aflito
Como um verso deve ser

olhares

HAJA VISTA

 Ávida de olhares
A pétala da flor
Espalha pelos ares
Cheiro e cor

(Climério Ferreira)

MARIA FUMAÇA

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A Maria Fumaça
Avança vagarosamente
Sábia e zen
Para São João Del Rei

A paisagem não tem pressa
E passa em câmara lenta na janela
Pontilhando a visão de vacas leiteiras
Que dormem na beira dos córregos

 Surgem os primeiros casarios
Testemunhos envelhecidos do tempo
Alertando nosso sonolento olhar
Para os telhados impregnados de história

 São João Del Rei se impõe
Imponente e bela, brilhando ao longe
Com alguns edifícios modernos
Denunciando sua inevitável transformação

A brisa que sopra da janela
Tão suave quanto a marcha do velho trem
Deve ser a mesma que acariciou
Anos atrás a face dos inconfidentes

(Climério Ferreira)

Deselegância

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Climério Ferreira no Balaio de Amor

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Para celebrar os 30 anos de carreira, Elba preparou um disco especial: “Balaio de Amor” reúne xotes e baiões, alguns inéditos e muitos já conhecidos da cultura nordestina. Entre os compositores gravados estão Accioly Neto, Chico Bezerra, Maciel Melo, Petrúcio Amorim. As faixas inéditas são composições dos artistas Nando Cordel, Dominguinhos em parceria inédita com o poeta Climério Ferreira.

Em “Balaio de Amor”, Elba retoma uma das principais características de sua carreira: a aposta em talentosos compositores, principalmente da Paraíba e de Pernambuco. Foi a intérprete quem primeiro gravou uma canção de Lenine e ajudou a projetar com registros antológicos Geraldo Azevedo, Belchior, Chico César, Lula Queiroga e outros. Produzido pelo compositor e músico Cezinha, o CD reúne uma boa safra de canções recentes, com belas melodias e letras poéticas, compostas por artistas que dificilmente rompem a barreira geográfica nordestina.

 A cantora privilegiou selecionar canções que soassem praticamente inéditas nas demais regiões do país. “Algumas destas músicas são conhecidas pelos nordestinos e o povo acompanha as letras. Sempre fiz bem este trânsito do Nordeste com os outros cantos brasileiros, em meio a essa geografia imensa”.

  De compositores já consagrados no eixo Centro-Sul do país, apenas duas faixas de Dominguinhos e uma de Nando Cordel. Do sanfoneiro, com quem já dividiu um álbum, registrou “Riso Cristalino”, parceria com Climério Ferreira, em que o compositor leva o acordeon com Cezinha e divide, com seu timbre grave, o vocal com Elba, e “Ilusão Nada Demais”, esta com Fausto Nilo, que conta com o sax soprano indefectível de Leo Gandelman.


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