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sem versos

eis algumas raridades que publiquei, na década de 70, na coletânea “PO(rr)ETAS, de Brasília:

             

            sem versos

não há motivo algum
pra que te faça versos
amo em ti:
teu corpo
e a alma nele contida
teus cabelos
em desalinho sobre a testa
as mil faces
da tua cara a cada carícia
teu andar de animal em extinção
ante o olhar atento do caçador
o ódio e o amor
que nos separa
une dentro da noite 
 

 condenação

 perdão:
estou predestinado a ser feliz.
que fazer?
não sei torturar
nem quero o poder
a honra não me tenta
nem o sucesso almejo
menina,
nem teus apelos domésticos
nem teu regaço em brasa
detêm em mim esta poesia
sou feliz,
como o pássaro da anistia,
sobrevoando o céu tumultuado
executivos, heróis, soldados,
fanáticos, empresários, proprietários,
classe média em geral,
eu vos declaro a minha condenação:
sou cavalo do meu sonho 

 

 

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